sábado, 22 de agosto de 2015

Em verso abro caminho



Eu quero música para silenciar os gritos do mundo
Eu quero música para afagar os gritos dentro de mim
E eu sou dança

Muita música para calar todo este ódio
Muita música também para expressar todo este
Descontentamento

Que também é o que nos faz caminhar

A toda a ignorância que vibra de todas as esquinas
Eu driblo em arte
E em um livro de um alguém
(Nem me conhece)
Eu mergulho
E vou me expor no mar

O nosso caminho a gente traça
Meu sorriso é teu, mas também é meu
E todo o sentimento do mundo

Eu me dou em notas
E eu reverbero
E me gasto
E corro

Escolho uma rota própria que eu nem sei

Como o soltar de uma fumaça
Eu me faço e desfaço

Como um passe de mágica
Escapulo
De tanto feitiço ruim
Que existe, rasteiro e invisível

Por aí

E sigo dançando.

Lucy, 22/08/2015

domingo, 16 de agosto de 2015

Reflexo



Talvez o que eu ame em ti é também
A maneira como eu me amo
Quando contigo

Eu preciso me proteger
E buscar algo do fundo do meu ser
Que se define contigo

Eu preciso caminhar bem
Em memória viva

Talvez eu nem precise te amar
Apenas saber me buscar em ti

E te deixar ser
E me permitir ser

O meu mais pacífico
Porque antes
Porque eu

Me perco
Me perdia

E preciso restaurar

E vou levar meu corpo para o mar
Que também é casa
Para me lavar

O sol carinho na minha pele

Eu preciso,
De novo
Saber me amar

Para viver qualquer tu
Em mim

Para viver o melhor eu

Lucy Donegan, 16/08/2015

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Satisfying lust


In the fumes of this landscape
I am free

In between these landscapes
I am allowed
To loose myself

And With accents I reinvent myself
(Please don’t call me anything
Defining is limiting)

My greatest desire is within myself

To accept what will come
And enjoy with thirst
Every new step

May I not give way to despair
Ant trap you in my net
And trap me in your web

In my dreams I am sitting at the shore
Alone
Or high on a hill
And gazing at the air

Breathing deeply
And profoundly
Alive

In my dreams that I conjure
I have no desires
Just Wanderlust

I escape the trap
Of wanting to catch
What will slip away

For all things must be free

Lucy, 03/08/2015

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Transcender



Do outro lado da terra
A minha avó Escreve
A lucidez de muito caminhar
Palavras feridas que poucos...
Têm
Coragem, que vem do amor

O sorriso apesar de tudo
O riso, contudo,

E muito amor

Do outro lado da terra

Muita água e pouco chão, por favor
Para se deixar levar

Mando também de volta um aperto
Que a pele dela também existe em mim
E juntos transpiramos
E seremos
Sem tempo
E além

Luz

Definha e não se contém,

Mas sempre energia
Em amor

E até logo
E mais
Muito mais

Que todas as palavras

Lucy, 09/07/2015

terça-feira, 23 de junho de 2015

Voar


Em mais uma arrumação de malas
DE coisas
Para me carregar para outro canto
Eu escuto música
Porque eu não caibo em mim

Eu abandono
O vazio que ficou da ausência
O silêncio que ficou da falta

E vou ser
Andarilho
Me vestindo de sotaques
E sambando de todo

No ritmo que embala a minha caminhada
Pelo mundo

Vou criar e abandonar
Outras casas
E vou tentar me segurar em mim

Com tanto espaço vazio dentro de mim
Eu gosto da sensação de queda
Da turbulência

Eu sorrio
Porque eu conheço bem

E onde vou chegar
Também
Pouco importa

Caminhante

Só há o caminho
Apesar de pouco chão

E muito ar

Lucy Donegan, 23/06/2015

terça-feira, 16 de junho de 2015

Em movimento

De um de tantos outros lugares do mundo
Cada um na sua

Não sonham
Que minha mente livre liberta
E ouve uma música linda
Enquanto em alguma produção

Silêncio e ação

Eu toco o ar de algum espaço
E em movimento encontro pessoas

Que passam
Que passarei
Que ficam
Na minha pele que dói e músculos que sentem
Sofre um coração de taquicardia
Que é liberto em notas
Musicais

E meu corpo trêmulo todo enquanto
Ideias fervilham
Eu em pressão também sou
Toda a calma do mundo

Mundo para andar
Olhos para ver

E paz em meu coração
Pois não há decisão

Apenas amor
Em movimento


Lucy Donegan, 16/06/2015

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Sumindo no mundo



Quando eu fui sozinha
No RU,
Ali, no canto de qualquer banco,
Estavam tocando,
Ensaiando (quem sabe até mais íntimo),
João e Maria, do Chico
A música me acompanhou cantando o resto do dia
E me ninou
Mal se sabe
O transitório de vidas que ficam pelos meios
De algum caminho

Eu agradeço a inspiração de arte que alguém tem
A pesar
Ao pesar dos pesares
E algo de vento ainda me pega
Nesta minha transitória vida
Tantas vezes em cubículos
Mas eu me jogo muito em movimento

E eu agradeço a água daquela piscina
E toda a luz dentro dela
Que reluziu em mim
E eu deslizei
Eu agradeço o começo do meu dia em outro mundo imensamente
Diferente
No chão a esticar o chão, do meu corpo

Apesar de todas as outras obrigações que tenho
Meu dia é minha invenção
Eu canso
E agradeço

Porque ontem na chuva eu também,
Fui água
E tinha arco-íris
E tinha sal
Tinha horizonte
Porque ontem eu também fui
Expansão

E no caminho um alguém me expande
Sumindo no mundo

Sem saber o que será de mim
Danço, e sigo
Por alguma frente

Porque o que será amanhã não é meu
Tampouco o agora

O tempo e o caminhar
É que me tem

Se, e quando, lhes convém

Lucy
02/06/2015.