sábado, 23 de julho de 2016

ser em dois



Meu querido lindo
Eu posso te dar
Muita liberdade
Só não posso ser (dois) pela metade

Meu corpo e coração sensíveis
Só sorriem com todo esse agrado
Porque inteiro

Não me parta amor pela metade
E escolha de mim apenas
O que pode se pregar em uma parte
De ti

Eu sou extensa
Eu quero mãos dadas no mundo

Mesmo que vezes desatadas
Para a tua dança
Também

Não me venha amor
Ser muita dor

Senão, nunca foi

Lucy, 19/07/2016

terça-feira, 19 de julho de 2016

Pela paz



E são nestes momentos
De paz em contínua ação
Com uma música em vento
No fundo do meu cerne
Que suaviza a minha alma
Entre queridos que me querem bem

Que eu tenho certeza
Que tudo dará certo
Que tudo flui
Certamente
Para verter em cores lindas e construir uma vida
Que eu nem sei
E aceito

É preciso ter calma para apaziguar
Minhas necessidades de ti que por vezes calam
Minha música suave que me sustenta
E que te atrai pra mim

Que me faz feliz em tis
E que me edifica

Hoje sempre é um outro dia
E o mesmo
Em que busco e encontro a paz
De fazer, De criar e De viver

E enfim, amar

Lucy, 14 de julho

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Devir, dever ir


Já mais uma vez que vou jogar
Meu corpo na estrada
E já me vem música para acompanhar
Porque é vento

Minha casa é a liberdade
E um amanhã desconhecido
Para me jogar

E assim, em constantes perdas
Palimpsesto
É que me reencontro

Meu coração tem paz
No movimento

E eu em liberdade
AR – VAZIO – CHEIO - MAR
SOL e VENTO

Também lhe concedo

Porque eu já fui

Lucy, 23/06/2016

sexta-feira, 10 de junho de 2016

para seguir bem



Tem um caminho
Que eu não sei qual é
Exatamente
E eu tenho que traçar
Meu coração treme de antecipação
Meu corpo treme, e é inquietação.

Eu não posso culpar os sonhos do meu ser em você
Eu não posso resumir minha sede de vida em você

Existem muitas águas que eu ainda quero
Para me banhar
Ainda tenho muita pele para pulsar fotossíntese
Que deverá buscar luz para não te escurecer

Não vejo um caminho
E é um vão enorme aberto
E o mundo inteiro

E meus pés impacientes
Sufocam num quarto
Apartamentos pequenos e salas fechadas
Ares condicionados

Existe um coração trêmulo que se entregou inteiramente a você
E tem que lembrar que existe corpo para além disto
Que existe fôlego para além disto


A alimentar

A luz dos meus olhos que te encanta
Lindo outro que mal sabe
Que tudo sabe

Existe um futuro que o presente agradece
E tenta corajosamente aceitar

Sem saber que forma
Se me comporta em ti
Se ti traz em mim

E a esperar

Mas o único caminho é Seguir
A caminhar
Se alimentar de luz
Se encharcar de céu

Se abrir para você

Sem te esperar

Lucy, 10/06/2016

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Corpo aberto



Tu carregas aí o teu medo
Eu o meu

Mas que eu tento bravamente
Pôr à luz

Eu vou trêmula com o corpo aberto

E por vezes parar é uma coragem
Por vezes esperar é uma coragem

Por vezes pedir é bobagem

Enquanto tu te guardas, aí,
Eu sigo em corda bamba
Brincando de caminhar

Num abismo de insegurança
Num céu de liberdade

A procurar horizontes
A se perder em mares

Sabendo que encontros são infinitos
Em fuga
Que para se encontrar, com outro, consigo,
É necessário sempre, também,

Aceitar te perder
Aceitar se perder

Lucy, dois de junho de 2016.