quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Qualquer sol



Teu sentimento plástico
Se molda no vento
Meu corpo carne
Resiste

E meus olhos ainda capturam
Todas as cores
Todas as dores

Existem, todavia, ideias que alimentam
Meu cerne sedento

E meus pés se movem
E me permitem
Outras visadas

A desconsiderar este jogo
Inconstante-tu

A guiar uma dormência de tu
E uma sensibilidade-eu

Em ações me moldo
E mantenho alguma paz

A enfrentar com alguma calma
Qualquer distopia

E a aceitar com algum agrado
Qualquer Sol.

Lucy, 2. Setembro 2017

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Imorrível



Eu danço só em casa
Escutando música boa
Como para preservar um cerne
Independente

Independente de...

Eu escuto música
E meu corpo desfia desafia
A preparar meu corpo para o mundo
Qualquer noite para me ser

Qualquer vida para enfrentar

Eu poesia e livros e som
Para ser bem independente do quê

E transformar, também,
O que vier...

Em qualquer eu
E muito melhor

Lucy
11/08/2017

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Crio e conservo energia



Favor não confundir
Sede com fome

Eu tenho uma sede de 15
Com um cinismo (e calma?) de 50
Minha casa vem em muitas formas
Desforra

Meu corpo é calma
E também sensual

Tem um tanto que eu posso dar
Tem um tanto que consigo receber

Em curvas minha alma embala
Enquanto escuto música só

Uma calma sede, que já sacia quando sente
Que só precisa sentir
Que sabe que só pode vir
Natural

O calmo movimento é
Um caminho traçado entre minhas idades

Lucy, 21/07/2017

Embrionária



Uma nova casa, um novo trabalho
Um novo coração - Tão acabado –
Espera com calma um momento de se mostrar

(Um você que tento silêncio)

Para me permitir brotar
Minha gestação é em silêncio
E é muito frágil
E muito forte

O mundo que se torna pequeno

Ao passo que sua ausência amedronta
Me parece ter sido tão esperado
Claro que não havia de ser tão bom assim

A verdade dói, mas eu conheço
A verdade dói
Mas também mostra
Me mostra

De alguma maneira
Maior que isso.

Lucy, 21/07/2017