terça-feira, 23 de outubro de 2018

Interna Luz


Eu
Do alto do meu castelo
- que pisa no chão –
Mandarei cores diversas em luzes

Esperarei amores de volta

Que virão de mim
E me protegem de ti

Inconsequente

Eu
Que sei que meu repúdio de ti
Descrito em tantos sensatos tons
Não lhe atinge

(Sensatez
É palavra estrangeira
Que não convém)

Eu por aqui ainda junto
Resquícios de cooperação
De algum coletivo

De algum elo

Que deve ser longínquo
Para ainda desabrochar em energia

Depois de ti

Lucy, 23/10/2018

domingo, 14 de outubro de 2018

Repartidos


Se dizem que terei agora de criar analogias
Para falar a verdade
Em qual planeta se construiu
Essa desconstrução de ser humano?

Eu não sei
Eu não sei em qual parte
Eu posso ser interna
Sem ser também externa

Barbaridades que vão ganhando corpo
E se aproximando

Tentamos desfazer o nó
E está cerrado

Onde ficou a doçura do samba?
Onde ficou o sorriso da graça?
Desta nação?

Eu me viro e tudo é partido
Em destroços

Uma bandeira
Que chora

E ainda assim

Teu ventre odeia

Lucy 14/10/2018

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Ultravioleta


Eu preciso sol
Para calar o silêncio
Para andar bem com o silêncio

Que os ódios em absurdo constroem
Que os amores em absurdo afrontam

Meu corpo retorce e se volta, um pouco,
Para dentro de si

Enquanto eu ainda preciso encontrar senso e carinho em ti

O corpo feito em prece
Às afrontas de uma nação
Que nunca se aceitou em si
Diversa

Enquanto o dia de hoje parece interminável
Algum dia um amanhã
(Que não se sabe como)
Melhor

Senão, também, em oceanos me perco
Encontro
E suavizo em ondas
Uma paz interna e aberta

Enquanto todos os outros sentimentos
Em guerra

Lucy, 11/10/2018

domingo, 9 de setembro de 2018

Precisar e ser mar


Me afirmo como um coqueiro riste
Do pé do meu apartamento que enfrenta o mar

Eu que posso cair e ainda boiar
A deslizar sobre águas com tanta paz

Eu que sinto fome

Motriz
Para seguir
Para sair

Para ficar
Em mim

Eu que nem em mim
Tenho certezas
Em qualquer dia
Encontro e sou mar

Que não se explica
Se sente

Pelas cristas que são curvas internas

Eu rebuliço em um domingo à noite

Que a solidão é também
Uma companhia de si

Em silêncio a música é minha
A reinventar respirações
Que sabem ficar em mim

Como a maresia
Que meus cabelos ainda são

Na dúvida de qualquer noite

O dia
Com todo o sol, sal
E água

Para amaciar e lavar

Lucy, 09/09/2018