sexta-feira, 12 de julho de 2013

Sede



E teve momento em que a bebida
Veio em igual medida que a sede

Em outras
Não

Que era para criar

Suspense

Que era para amontoar
O cerne do teu ser

Todo expectativa e sede de vida
Dentro de ti
Para uma quase explosão

Para seguir veloz
Para não parar mais
Para buscar
Para não se acomodar

Para te virar de lado
E te devorar inteira assim

O quanto minhas mãos puderem tatear
O quanto minhas pernas puderem correr atrás
O quanto eu consigo, também,
Parar, esperar,
E olhar para o outro lado,

Em arte encontrar meus subterfúgios que preenchem minha vida

A sede
É uma vontade de amanhã
Embutida no presente.

Lucy, 12. julho. 2013

sábado, 29 de junho de 2013

Uma grande invenção



Que roupa eu visto?
Para enfrentar, assim...
O mundo
Como eu me traduzo?
Qual o meu humor agora?
Se Traduz ?

A gente alcança o que nosso coração alcança
E vamos nos espalhando no mundo
Nos deixando no mundo
Nús enfrentando o mundo

Minhas capas mal me disfarçam
Mal me contêm
E eu vou para a rua

Em busca incansável
De um ponto de fuga

Justamente por que
Não há
Qualquer coisa que me faça
Preferir o estático

Do que o contínuo movimento
Que permite
Me reinventar

Sempre

Totalmente igual
E totalmente diferente.

Lucy, 29/06/2013

domingo, 16 de junho de 2013

Não sei o quê, mas é



É uma pontada na cabeça
É espaço faltando, espaço sobrando
É um quarto do lado de mim
Vazio
E me empurrando
Entrando dentro de mim

É pouca coisa
É muita coisa
É tudo isso que eu pedi

E meu corpo digere em tempo diferente de mim
É ter paciência com meu corpo

Foi um passado que voltou
Sem anunciar
É a mente que prega peças
E eu não consigo mais te ver

É minha mente confusa
Porque a sede sempre é tão grande
Que minha vida se equilibra
No contínuo insustentável

De ti, que não me viu
O outro que me perseguiu
De mim que não entendo

Eu perco e perco anos
De algo tradicional que deveria estar acontecendo
Que eu atropelei e deixei em algum outro universo

É a pontada na minha alma
Que não me sossega na cama
É a necessidade do sono
E a impossibilidade de dormir, bem,
Porque os sonhos denunciam
E o acordar anuncia

É o movimento insustentável
De um encontro contínuo
Com alguma barreira

Quando eu me vi tive medo do espelho
Eu olhei bem forte em meio a escuridão
Porque não queria a claridade
E tudo ficou um difuso enorme

Eu fico extremamente dividida
Se eu não consigo espalhar meu corpo no mar
Se eu não consigo fazer arte no papel
Se eu não consigo correr numa montanha

Porque a minha vista não aguenta
O que está dentro de mim

E uma sede sempre me faz querer ingerir
Algo que possa moldar meu corpo
E deixar minha alma
Repousar em outro alguém
Em outro ninguém

Que não eu.

Lucy, 16 junho 2013

domingo, 26 de maio de 2013

Vivendo



Os homens me dão calafrios
Frios calados
Meus amigos me mantém
Viva

Me dão base, para não cair
Assim: toda de uma vez
Quando tudo parecia estar equilibrado, de alguma maneira
Um pequeno vento soprou
Em hora inoportuna,
Na brecha de um calcanhar
De Aquiles

E me desmorona quase me desmorona
E aí eu preciso ter calma
Respirar bem fundo
Mundo
E refazer meus passos
Tentar encontrar o momento em que eu perdi
Em que eu me perdi

Eu posso ser muito mais
Eu sou muito mais
Eu posso ter valor
Eu consigo e serei feliz
Eu farei meu caminho

E eu tento reencontrar
As coisas básicas e simples da vida
Que me dão prazer
Como testemunhar a natureza em transe
Boiar na água no meio do mar
À deriva e ‘Ah!’ tão livre
E sorrir lá, sozinha,
Porque os fluxos de um oceano de energia
De vida
Me fizeram carinho nas costas
E na minha pele o sol testemunhando minha existência

A vida me deu meu corpo de presente
E ele é todo sensações
E movimento

Eu preciso me reencontrar
Constantemente
Para não me perder

No Leito dos teus desejos
No vão dos meus desejos

Não correspondidos
Perdidos em velocidades diferentes

Mas eu fiz a minha casa
De música, suor e arte
E repouso no ventre de um amor-próprio

Para a potencialidade de conexões muitas
De redescobertas para dentro de mim-alma

Que faz do meu corpo
Camaleão constante
Eu vivo para poder-ser diferente
Constantemente

Para poder-repousar, quem sabe
Num outro que me entenda
Antes de mim

Cada dia é um degrau
Cada dia é uma queda
Mas nada mais,
Nada mais
Que o movimento de estar

E ser
Bem viva

Vivendo.

Lucy, 26. maio. 2013