quinta-feira, 23 de junho de 2016

Devir, dever ir


Já mais uma vez que vou jogar
Meu corpo na estrada
E já me vem música para acompanhar
Porque é vento

Minha casa é a liberdade
E um amanhã desconhecido
Para me jogar

E assim, em constantes perdas
Palimpsesto
É que me reencontro

Meu coração tem paz
No movimento

E eu em liberdade
AR – VAZIO – CHEIO - MAR
SOL e VENTO

Também lhe concedo

Porque eu já fui

Lucy, 23/06/2016

sexta-feira, 10 de junho de 2016

para seguir bem



Tem um caminho
Que eu não sei qual é
Exatamente
E eu tenho que traçar
Meu coração treme de antecipação
Meu corpo treme, e é inquietação.

Eu não posso culpar os sonhos do meu ser em você
Eu não posso resumir minha sede de vida em você

Existem muitas águas que eu ainda quero
Para me banhar
Ainda tenho muita pele para pulsar fotossíntese
Que deverá buscar luz para não te escurecer

Não vejo um caminho
E é um vão enorme aberto
E o mundo inteiro

E meus pés impacientes
Sufocam num quarto
Apartamentos pequenos e salas fechadas
Ares condicionados

Existe um coração trêmulo que se entregou inteiramente a você
E tem que lembrar que existe corpo para além disto
Que existe fôlego para além disto


A alimentar

A luz dos meus olhos que te encanta
Lindo outro que mal sabe
Que tudo sabe

Existe um futuro que o presente agradece
E tenta corajosamente aceitar

Sem saber que forma
Se me comporta em ti
Se ti traz em mim

E a esperar

Mas o único caminho é Seguir
A caminhar
Se alimentar de luz
Se encharcar de céu

Se abrir para você

Sem te esperar

Lucy, 10/06/2016

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Corpo aberto



Tu carregas aí o teu medo
Eu o meu

Mas que eu tento bravamente
Pôr à luz

Eu vou trêmula com o corpo aberto

E por vezes parar é uma coragem
Por vezes esperar é uma coragem

Por vezes pedir é bobagem

Enquanto tu te guardas, aí,
Eu sigo em corda bamba
Brincando de caminhar

Num abismo de insegurança
Num céu de liberdade

A procurar horizontes
A se perder em mares

Sabendo que encontros são infinitos
Em fuga
Que para se encontrar, com outro, consigo,
É necessário sempre, também,

Aceitar te perder
Aceitar se perder

Lucy, dois de junho de 2016.

sábado, 7 de maio de 2016

Uma felicidade



Amor está em mim

E eu lhe dou
Toda a liberdade
Que é para você correr e ser bem

Para nós sermos
E bem

Eu cuido da casa
Que será “nós”
Eu cuido de mim

Que será, e é
“Nós”

Eu alimento e percorro
Porque a paz está
No que se comunica entre nós
No que fica em mim

Enquanto só

Eu lhe aguardo e guardo uma felicidade pra ti

Em casa eu danço e me mexo
Porque estou feliz

Que existe um ti pra vir
Que existe uma eu para ti

Em que fazemos nossa paz
A enfrentar e desfiar

Qualquer Mundo

Lucy, 07/05/2016

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Bandeira branca, amor



É guerra meu amigo
De mim contra você
A pesar resquícios de cooperação

Que se perdem
Que pedem força

É guerra dispersa e entremeada
Nas ruas da cidade
Nos muros que quebram nossos olhos

É meu umbigo
É minha dor

Indigestão

Mais uma ocorrência
E nós todos, prisioneiros
Inalando medo
Expelindo ódio

Ainda me seguro nos moços da esquina
Da minha rua
Por onde ando e cumprimento

Ainda existe
No meio das lutas
Sorrisos

Você não pode ser assim tão diferente de mim

Ainda em corda bamba ando
Ainda numa prisão
Não me tranco

Abro portas
E vou ver a cidade
E vou mergulhar no mar

Minha bandeira branca
Meu acordo de vida
Por alguma paz

Lucy, 01/04/2016